Histórias inspiradoras da Comunidade FOC


Fátima
Douglas Salles
Gostamos de vibrar junto com os nossos alunos, professores, coordenadores, diretores, funcionários, enfim toda a comunidade FOC, com suas conquistas, sucessos e superações.

A história de cada pessoa da nossa comunidade é única e maravilhosa, mas acreditamos que algumas delas podem nos servir como inspiração, pois são exemplos de motivação, garra e determinação.

E é com a história da Fatima Jani da Silva que começamos essa série de “Histórias inspiradoras da Comunidade FOC”.
A Fatima se formou no final de 2020 no curso tecnólogo de Alimentos Industrializados, os seus professores a indicaram para o prêmio de melhor aluna do curso, prêmio certificado no CRQ, e foi a partir desse mérito que procuramos saber um pouco mais sobre a sua história.

A história da Fatima é realmente inspiradora, nos mostra que a vida tem muito a nos oferecer, basta ir atrás, estudar, conhecer, e então podemos ser o que quisermos!

Agora vamos deixar a própria Fatima contar um pouco sobre sua história:

“Me chamo Fatima Jani da Silva, tenho 62 anos. Nasci na Paraíba, na cidade de João Pessoa e vim pra São Paulo com 4 anos de idade, com a minha mãe e irmã. Chegando aqui eu e minha família enfrentamos algumas dificuldades. Minha mãe trabalhava em casa de família e com o passar do tempo conseguiu uma licença para trabalhar na feira, e eu ajudava ela vendendo fósforo.

Aos 7 anos de idade, em 1966, entrei na escola pública para cursar o ensino primário. Nesse período minha mãe teve meus outros irmãos, os quais eu ficava cuidando enquanto ela e minha irmã iam para feira trabalhar, eu cuidava da casa e das obrigações.

Em 1977, quando eu tinha 18 anos, passei num concurso público de escriturária e nesse mesmo ano concluí meu ensino médio. Em 1979, ingressei na faculdade de licenciatura na área de matemática e ciências, como eu trabalhava na parte da manhã, a tarde eu voltava para casa e arrumava as coisas, para quando minha mãe chegasse estivesse tudo certinho para ela poder apenas descansar. E nesse mesmo ano fui indicada como secretária de escola, a qual permaneci trabalhando no período da manhã até a noite.

Terminei a faculdade em 1982, foi quando um professor me chamou para trabalhar como professora de ciências, na escola onde ele trabalhava como diretor. Eu aceitei o cargo. Esse professor me incentivou a ser vice–diretora no período noturno, mas para isso eu precisava de um curso de complementação de administração escolar, então resolvi fazer o curso, que conclui em 1986.

Permaneci com o cargo de secretária e de professora até 1993, que foi quando tive meu filho. Então deixei o cargo de secretária e permaneci atuando como professora, nos três períodos, manhã, tarde e noite.

Em 2002 tive minha filha e permaneci na mesma rotina de trabalho. Em 2006, fiz outro curso de complementação, porém esse era de supervisão escolar, ou seja, queria assumir um cargo de direção, conclui em 2007, ano em que fui convidada para o cargo de vice–diretora na escola onde eu já trabalhava e permaneci nele até 2014. Depois desses 7 anos me aposentei do cargo e então tive um tempo livre para mim, no período da noite, que foi quando resolvi fazer alguns cursos relacionado a área de alimentos.

Em 2012, fiz um curso especializado em confeitaria, alguns cursinhos de panificação, até que vi o curso de alimentos industrializados da Faculdade Oswaldo Cruz, por meio de um folheto que recebi da própria faculdade, pois meu filho cursava bacharelado em química, me interessei de início por que já conhecia a faculdade e sabia do reconhecimento dela. Me inscrevi na prova de bolsa e passei. Confesso que no início eu achava que ia aprender sobre coisas relacionadas a área da confeitaria, foi quando o professor Diogo, um ótimo professor, disse que eu tinha escolhido o curso errado, porque este ensinava sobre o processo industrial e a composição dos alimentos. Eu sabia que não ia me ajudar muito na área da confeitaria, mas por curiosidade e interesse resolvi continuar no curso.

Durante esse período tive algumas dificuldades por não ser do ramo e não ter experiência, diferente da maioria dos alunos da sala, eu até pensei em desistir, mas tive o incentivo dos meus filhos, da professa Thaís e da Taina nas aulas de TCM durante o ano de 2018. Um grande apoio que tive também foram as “pré–aulas”, aulas de reforço, que as professoras Bárbara, Taina e o professor Henry proporcionavam para quem tinha dúvidas em exercícios e assuntos da matéria, isso foi de grande ajuda para mim.
Claro, eu não estudava apenas no período de aula, quando chegava em casa dava uma lida nas anotações que fiz em sala e tentava resolver alguns exercícios, assim eu conseguia ter uma noção se estava conseguindo aprender ou não, e como disse antes, quando sentia dificuldade no dia seguinte eu chegava um pouco antes da aula começar para conseguir esclarecer as dúvidas na “pré–aula”. Segui nesse ritmo até o final do curso.

Tenho muito a agradecer as professoras Glaciane, Maria Ricci e Patrícia por serem excelentes profissionais, por mais rígidas que fossem, sobre entrega de trabalhos, prestar atenção nas aulas, chamar atenção e dar aqueles puxões de orelha quando precisava, tenho noção de que era para o nosso aprendizado fluir melhor, eu achava isso ótimo mas percebia que alguns alunos não gostavam, sendo assim na maioria das vezes fiz os meus trabalhos sozinha para cumprir as regras e prazos determinados, estavam sempre dispostas a tirar minhas dúvidas e me auxiliar quando era necessário, sou muito grata a elas, muito mesmo.

Finalmente, 2020 o ano da minha formação. Bem, foi um ano com algumas controversas por conta da pandemia do novo Coronavírus, e por isso as aulas mudaram de repente do presencial para o remoto, o que não foi no início de fácil adaptação para mim, mas com a ajuda dos meus filhos fui me familiarizando com a tecnologia e consegui realizar todos os trabalhos e provas que foram passados, chegando até a finalização do curso. Em 2021 realizei a minha formatura, infelizmente precisou ser online, por conta da pandemia e distanciamento social que estamos enfrentando, mas que fiquei muito feliz em concluir mais uma etapa da minha vida.

Agora, depois de formada, pretendo trabalhar na área para ter uma visão mais a fundo de como é atuar diretamente na indústria alimentícia, também pretendo fazer um curso de informática para saber usar a tecnologia atual.”

Essa foi a história da Fatima, que se reinventou e mostrou que não existem limites, basta querer e então tudo se expande, abrindo novas oportunidades para a vida.

Publicado em: 05/04/2021 17:12:00 por: Mariana Amorim