Dia internacional da mulher


Dia
Douglas Salles
Cenário Histórico

Essa data foi oficializada em 1975 pela ONU (Organização das Nações Unidas), mas começou muito antes. Um dos marcos dessa jornada foi dado no início do século 20, quando diversos protestos de mulheres ecoaram pelos Estados Unidos e Europa, onde reivindicavam melhores condições de trabalho e igualdade de direitos.

Em fevereiro de 1909 houve uma grande passeata que contou com mais de 15 mil mulheres em Nova York, por melhores condições de trabalho. Em 1917, um grupo de operárias saiu às ruas para se manifestar contra a fome e a Primeira Guerra Mundial, movimento que viria a ser o pontapé inicial da Revolução Russa.

No Brasil, essa data também é marcada por protestos nas principais cidades do país, que tinham como principal motivo reivindicações em relação à igualdade salarial, contra a criminalização do aborto e a violência contra a mulher.

Linha do tempo da mulher na educação do Brasil

De acordo com as leis portuguesas, o sexo feminino fazia parte do imbecilitus sexus, ou sexo imbecil, uma categoria à qual pertenciam mulheres, crianças e doentes mentais. Essa ideia persistiu no Brasil Colônia.

Até Charles Darwin, biólogo, geólogo e grande estudioso, no século XIX, acreditava que as mulheres eram intelectualmente inferiores – opinião semelhante à de outros homens biólogos na época.

As escolas do período colonial foram constituídas, inicialmente, pela ordem dos padres jesuítas. Localizadas nas vilas e cidades, eram voltadas para o público masculino, visando à formação de uma elite colonial culta e religiosa. Tanto as mulheres brancas, ricas ou não, como as negras escravas e as indígenas não tinham acesso à leitura e à escrita.

A primeira reivindicação pela instrução feminina no Brasil partiu de um indígena, que pediu ao padre Manoel de Nóbrega que ensinasse sua mulher a ler e a escrever. Os indígenas estranhavam a diferença de oportunidades educacionais entre homens e mulheres, visto que estas eram consideradas companheiras. Porém a ideia foi considerada ousada demais pela rainha de Portugal, Dona Catarina.

Alguns indígenas conseguiram burlar as regras. A autora Arilda Ribeiro afirma ter encontrado registros de que Catarina Paraguassu, também conhecida como Madalena Caramuru, teria sido não apenas a primeira indígena, mas a primeira mulher a aprender a ler e a escrever, tendo feito uma carta de próprio punho ao padre Manoel de Nóbrega em 1561.

As mulheres ficaram excluídas do sistema escolar estabelecido na colônia. Quando muito, podiam educar–se na catequese. Na segunda metade do século XVII, surgiram conventos no Brasil, cujas “escolas” para moças ensinavam, sobretudo, costura, bordado, boas maneiras e reza. Até então, a educação feminina seguia restrita aos cuidados com a casa, o marido e os filhos.

Inclusão das mulheres em sala de aula

Com a expulsão dos jesuítas em 1759 a educação passou para as mãos do Estado. A partir desse momento as mulheres tiveram permissão para frequentar salas de aula, separadas por sexo, e o magistério público surgiu como mercado de trabalho para elas, que poderiam dar aulas apenas para moças.

A partir de 1870, foram fundadas escolas protestantes, especialmente metodistas e presbiterianas, que quebraram o monopólio religioso do catolicismo e, pela primeira vez no Brasil, reuniram alunos de ambos os sexos numa mesma classe.

Nessa época, surgiram nas províncias escolas públicas mistas, e as professoras receberam autorização para lecionar para meninos de determinada idade, geralmente entre 12 a 14 anos, o que abriu um novo campo ao magistério feminino.

As moças foram liberadas para ingressar nos cursos normais, e o trabalho feminino ganhou força no final do século XIX, tendo em vista a necessidade de um número maior de trabalhadores para suprir a crescente demanda.

Por volta de 1910, as mulheres começaram a dominar o mercado de trabalho do ensino elementar, enquanto os homens seguiam dominando o nível secundário. No entanto, mesmo nas primeiras décadas do século XX, havia a exigência do celibato para que as mulheres pudessem exercer a função de professoras do ensino público. Segundo o Estatuto da Instrução Pública, as professoras tinham que ser solteiras ou viúvas. Se casassem, perderiam o cargo.

Em 1881, foram inauguradas as classes profissionalizantes para o sexo feminino no Liceu de Artes e Ofícios no Rio de Janeiro. Os cursos, porém, ainda reforçavam os papéis tradicionalmente vinculados às mulheres.

Mulheres no ensino superior

O ingresso nos cursos superiores foi mais uma luta enfrentada pelas mulheres. Apenas em 1879, o governo imperial permitiu, condicionalmente, a entrada feminina nas faculdades. As candidatas solteiras deveriam apresentar licença de seus pais, e as casadas, o consentimento por escrito de seus maridos.

Embora oficialmente aceitas na graduação, o número de mulheres inscritas para tal foi irrisório por muito tempo. As razões para isso vão desde o preconceito da sociedade até a impossibilidade de elas frequentarem os melhores cursos preparatórios, dificultando a entrada no ensino superior.


Educação feminina atual

Após conquistarem o acesso aos cursos superiores, as mulheres seguiram progredindo no campo da educação, tornando–se mestras e doutoras em diferentes áreas do saber. Durante a segunda metade do século XX, a presença delas cresceu expressivamente na educação, tanto como força de trabalho, quanto na participação em todos os níveis de formação.

“A década de 90 marca a virada das mulheres brasileiras, que ultrapassaram os homens em nível de escolarização. A proporção de pessoas analfabetas já é significativamente menor entre as mulheres do que entre os homens em todos os grupos com até 39 anos de idade. As mulheres também superaram os homens em número médio de anos de estudos e, nas salas de aula, reinam absolutas: 85% dos 1,6 milhão de professores da educação básica em todo o país são do sexo feminino”, diz um levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) do ano 2000.
Segundo esse relatório do Inep, o fator de maior influência para essa virada das mulheres sobre os homens em nível de escolarização foi o ingresso das mulheres no mercado de trabalho, o que as estimulou a buscar um melhor nível de escolaridade, inclusive como forma de compensar a discriminação salarial de gênero.






FONTES:
https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/03/08/dia–internacional–da–mulher–a–origem–operaria–do–8–de–marco.ghtml
http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/leia/reportagens–artigos/reportagens/14812–a–hist%C3%B3ria–da–educa%C3%A7%C3%A3o–feminina
https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Historia/noticia/2020/03/quem–foi–fe–del–mundo–1–mulher–aceita–na–faculdade–de–medicina–de–harvard.html
https://www.bbc.com/portuguese/geral–41895554
https://olhardigital.com.br/2016/03/08/noticias/mulheres–pioneiras–na–ciencia–que–merecem–ser–lembradas/
BNDigital – Biblioteca Nacional.
Portal MAPA – Memória da Administração Pública Brasileira (Arquivo Nacional).
Site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – Inep.
Site do projeto Mulher 500 Anos Atrás dos Panos (Rede de Desenvolvimento Humano – REDEH).
KRAUSE, C; KRAUSE, M. Educação de mulheres do período colonial brasileiro até a o início do século XX: do imbecilitus sexus à feminização do magistério.X Simpósio Linguagens

Publicado em: 08/03/2021 19:12:00 por: Mariana Amorim