12 de maio – Dia Mundial da Enfermagem e o Dia do Enfermeiro


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Douglas Salles
A data de 12 de maio é marcada pelas comemorações mundialmente do Dia da Enfermagem e o Dia do Enfermeiro. O curso de Enfermagem foi implantado nas Faculdades Oswaldo Cruz com o ingresso da primeira turma em fevereiro de 2011. A profissão destaca–se pelo cuidar do ser humano em todas as fases de seu desenvolvimento, visando a saúde e a qualidade de vida.




A carreira de origem milenar, no entanto, passou por evolução e vai além de um profissional da área da Saúde destinado somente a cuidar de pacientes. “Ao logo dos tempos, a Enfermagem seguiu com pouca visibilidade e reconhecimento social. Entretanto, como uma ciência aplicada produziu muito conhecimento e esteva na vanguarda de políticas públicas de saúde em todo mundo”, destaca o diretor do curso de Enfermagem, Prof. Dr. Arthur Bittes Júnior.

Os profissionais de Enfermagem compõem hoje a grande maioria dos profissionais atuantes em serviços de saúde, desde atenção básica em saúde pública até as instâncias mais complexas do sistema de saúde. O profissional atua em serviços de urgências e emergências, oncologia, transplantes, cardiologia, neonatologia, entre outros de assistência a pacientes de alta complexidade.

“Enfermeiros atuam não somente no cuidado direto, mas também no ensino, na pesquisa e na administração pública e privada, incluído ainda a antropologia da saúde e na saúde aeroespacial. Enfim, a Enfermagem está presente em todas as áreas de atuação humana, sempre desenvolvendo e implementando cuidados para saúde e também para a morte digna”, detalha Arthur Bittes.

Os desafios da profissão perante a pandemia do Coronavírus

Na linha de frente no combate à pandemia do novo Coronavírus, os enfermeiros, assim como os demais profissionais da área da Saúde, trabalham com os desafios complexos pela apreensão pelo risco de contágio pela Covid–19 e possíveis limitações estruturais. Mas, ao mesmo, tempo com a gratidão de atuar para salvar a vida das pessoas todos os dias.

“Definitivamente são desafios gigantescos, porém encarados e vencidos por uma vocação humana de prestar o cuidado de saúde, importa–se com os outros com empatia e resiliência. Todas as categorias da Enfermagem têm uma dedicação a esta carreira movidos por um imperioso humanismo que posso perceber desde a graduação”, analisa o professor Arthur Bittes. “Vocação é arte e essa pandemia sem precedentes nos desafia a todos e sobretudo os profissionais de Saúde a praticar a ulteridade e humanismo. A Enfermagem precisa, urgentemente, do apoio da sociedade e das políticas públicas para realizar com segurança e eficiência seu trabalho”, complementa.

O surgimento da celebração na data – homenagem a Florence Nightingale

A celebração do Dia Mundial do Enfermeiro surgiu em homenagem a Florence Nightingale, nascida em 12 de maio 1820, na cidade de Florença, na Itália. Porém, sua nacionalidade é britânica (filhas de ingleses) e foi na Inglaterra que a enfermeira deu vazão à sua obra, dedicada a caridade.

“À sua época, Florence estabeleceu o cuidado ambiental e pessoal, o respeito e higiene do ambiente como método de preservar vidas e promover a cura. Criou ainda um critério epidemiológico de medida de ocorrência de doenças e já predizia o valor da espiritualidade para garantir e recuperar a saúde. Há 100 anos, Florence recusava a profissionalização da Enfermagem por acreditar que isso levaria a perda da alma vocacional da profissão. Todavia, deu profissionalidade à atividade da Enfermagem e ainda foi uma mulher revolucionária, em uma época em que as mulheres eram tuteladas pelos pais e maridos e raramente se alçavam à trabalhos além do ambiente doméstico”, explica o diretor do curso de Enfermagem da Oswaldo Cruz.

Florence Nightingale entrou para a história por ser pioneira no tratamento de feridos em combate durante a Guerra da Criméia. O conflito se estendeu entre os anos de 1853 e 1856, na península de mesmo nome, localizada no sul da Rússia e transformou em oponentes o Império Russo e a coligação integrada pelo Reino Unido, França, Turquia e Piemonte–Sardenha, região que hoje faz parte da atual Itália.

A enfermeira ficou conhecida na história pelo apelido de "A dama da lâmpada", pelo fato de servir–se deste instrumento para iluminação durante à noite nos cuidados que dispensava aos feridos. Também ficou conhecida pelos seus métodos baseados no modelo biomédico, semelhante à medicina praticada pelos médicos. Em 1859, fundou a primeira escola de Enfermagem em um hospital inglês.

Quando tomou a decisão de se tornar enfermeira, no ano de 1845, teve que enfrentar a desaprovação e o rompimento com sua família. Sua mãe foi quem mais se desagradou com sua decisão. Nessa época, o papel de enfermeira costumava ser exercido por mulheres ajudantes em hospitais ou acompanhando os exércitos.

Enquanto esteve na Turquia, Florence Nightingale coletou dados e organizou um sistema de manutenção de registros, que utilizou como ferramenta para melhorar as condições dos hospitais civis e militares. Seu conhecimento matemático foi útil para se valer das informações coletadas para o cálculo das taxas de mortalidade nos hospitais.

No retorno a Londres, em agosto de 1856, quatro meses após a assinatura do tratado de paz, Florence descobriu que os soldados durante os tempos de paz, com idades variando de 20 a 35 anos, tinham uma taxa de mortalidade que era o dobro da dos civis. Utilizando estas estatísticas, ela mostrou a necessidade de uma reforma nas condições sanitárias de todos os hospitais militares.

“Ainda hoje, seu modelo teórico de Enfermagem pode ser aplicado à prática profissional, o que mostra que foi ela uma pessoa à frente de seu tempo e reconhecida pela coroa inglesa, quando recebeu da rainha Vitória a Cruz Vermelha Real, e em 1901, se tornou a primeira mulher a receber a Ordem do Mérito e, também foi reconhecida como personalidade do século XX”, explica Arthur Bittes Júnior.

Publicado em: 12/05/2020 15:11:00 por: Egidio Oliveira